ARTIGO — Sobre a originalidade na Literatura

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Esses dias eu cismei com odaliscas.

Google > odalisca > pesquisar.

Fantasias eróticas.

Google > odalisca pintura > pesquisar.

Mulheres deitadas, nuas ou seminuas, ora acompanhadas de um narguilé, ora de escravos, aquela pose tão marcante que podemos chamá-la “pose de odalisca”, às vezes cercadas por luxo, às vezes pelas paredes frias do palácio.

Iguais, numa olhada rápida, com exceção de uma e outra mais ousadas, de pé.

Numa análise mais atenciosa, suas diferenças gritam.

A “Odalisque” de Hayez está bem longe de “Odalisque” de Delacroix. A de Ingres entedia-se com a suntuosidade, a de Lefebvre com a solidão. A de Matisse cobre as partes baixas, a de Boucher, os seios. “Olympia” é soberana, mas não mais que a Vênus diante do espelho.

Certamente sabiam, todos eles, que havia uma grande quantidade de odaliscas a serem pintadas. Pergunto-me se lhes perturbou o clichê.

Não podemos dizer, no entanto, que não eram originais.

Assim a Literatura.

Escritores, todos eles, pintando odaliscas, variando posições, expressões, cores e cortinas, se-não-tiver-isso-não-é-odalisca, se-fizer-assim-é-cópia.

“Será que alguém já fez uma odalisca tocando guitarra?”, pergunta-se o pós-modernista.

Google > odalisca guitarra pintura> pesquisar.

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