POESIA — DO QUE É DEIXADO QUANDO MUDAMOS

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Foto: autoral

 

Parte I.

Um varal, um biquíni e um epitáfio.
Se esquecido, a falta vem antes;
se abandonado, não vem.
Por um momento senti como se exumasse os sonhos
cultivados num jardim que hoje é aterro.
Pensei no que deixaria para trás quando resolvesse mudar também,

[talvez não a roupa
mas algo maior]

no que deixei para trás quando vim pra cá,
no que deixarei quando sair daqui
e por quê.

[por que, se a falta foi sentida,
não voltar para buscar?
e por que, não havendo falta,
por que não há?]

Meio biquíni a menos
ou um biquíni inteiro a mais
para alguém, cujo espaço ocupei brevemente,
mas cuja ausência ainda estava lá quando parti.

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