RESENHA — The Duke of Burgundy, P. Strickland

Resenha por: Anna Carolina Rizzon

NOTA: 5/5

OBS: o texto a seguir contém alguns spoilers – nada que interfira na experiência, mas não tive como me esquivar deles; 90% do que é mencionado está no começo do filme.

O que difere uma obra de arte das outras com pretensões artísticas, ou das declaradamente alheias a tal propósito, é a gratuidade. Muito embora se possa dizer que nada é gratuito, tudo possui uma razão para existir – e, no caso da arte, tão subjetiva, para ser projetado –, é possível identificar, nas peças que nos são oferecidas, maior ou menor complexidade e maior ou menor densidade, isto é, como os elementos se conectam e quão exigentes são em sua interpretação.

Como a Literatura, o Cinema, quando empenhado em produzir algo que fuja do lugar-comum, precisa se apoiar muito mais na confiança de um público seleto e perspicaz o bastante para absorver tudo o que será transmitido do que no mero apelo de uma história “diferente”. Normalmente, isso significa ser fadado ao clamor dos críticos e à rejeição da massa. “The Duke of Burgundy” – que sequer chegou a ser traduzido quando veio parar no Brasil, graças à Netflix – é mais um desses casos; mesmo com alguns prêmios em sua conta (o International Cinephile Society Awards, por Melhor Filme, e o Grand Jury Prize por Melhor Narrativa no Philadelphia Film Festival, por exemplo), é underground o suficiente para que muito pouco se tenha ouvido falar dele à época de seu lançamento (fevereiro de 2015, no Reino Unido), que fará agora. Continuar lendo

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