RESENHA — Acqua Toffana, de Patrícia Melo

Resenha por: Anna Carolina Rizzon

NOTA: 4,5/5

Pode-se viver tranquilamente sem amor, mas não sem ódio.

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É com essa frase que Patrícia Melo resume ambas as novelas contidas em seu primeiro livro – cujo título, sugestivo, é homônimo ao de um veneno da Renascença, famoso por sua discrição e pelas mortes lentas e dolorosas, mas principalmente por se tratar de uma arma  popular entre mulheres que queriam se livrar de seus maridos. Aliás, esse é exatamente o plot da primeira história: uma mulher, desesperada, tenta convencer um delegado a prender seu esposo, quem ela acredita ser o assassino em série conhecido como ” estrangulador da Lapa”, mas sua narrativa ora mergulhada em delírio, ora numa certeza brutal, deixa tanto ele quanto nós com um pé atrás.

A personagem, uma autodeclarada nosofóbica, ansiosa e, por que não?, agorafóbica, descreve, com muitíssimos detalhes quando lhe convém, e pouquíssimos quando julga que a passagem é desinteressante, o caminho até sua conclusão e a decisão de recorrer à polícia. Rubão, o marido, um editor de programas de culinária, pouco a pouco perdeu o interesse nela, o que a deixou num estado depressivo e paranoico, culminando na suspeita de traição. Certo dia ela resolve segui-lo numa de suas “chamadas urgentes”, para flagrá-lo com outra mulher. Continuar lendo

RESENHA — Roseanna, Sjöwall & Wahlöö

Resenha por: Anna Carolina Rizzon

NOTA: 2,5/5

Maj Sjöwall e Per Wahlöö são tidos como os precursores dos romances policiais escandinavos modernos. Sua série de dez livros, protagonizada pelo detetive Martin Beck e intitulada “A História de Um Crime” (acharão mais resultados se buscarem “The Story of a Crime”), é mundialmente renomada, e foi a responsável por consagrar o casal de jornalistas. Escrita em dez anos, aproveitando o horário em que seus filhos dormiam, dizem alguns, a série tem início com “Roseanna”, um suspense que envolve o estupro de uma jovem turista americana em circunstâncias que deixaram pouquíssimas evidências.

O corpo de uma mulher de origem desconhecida é encontrado durante a dragagem de um lago na Suécia. Sem qualquer pista de quem poderia ter cometido o crime, o inspetor Martin Beck mobiliza sua equipe em uma busca internacional por um assassino sem nome e sem rosto. Passados três meses, tudo o que sabe é que a jovem se chama Roseanna e pode ter sido assassinada por uma das 85 pessoas que estavam em um cruzeiro pelo Canal de Göta. Ao longo de meses de investigação, a lista de suspeitos, antes inexistente, ganha alguns nomes, até a polícia se deparar com um assassino cruel, que possui uma noção peculiar e doentia do que é certo e errado.

Confesso que esse foi um dos poucos livros que “comprei por comprar”. Estava na livraria sem saber o que procurava, numa dessas visitas aleatórias durante as quais esperamos alguma revelação divina, ou, no mínimo, uma capa mais interessante. “Roseanna” estava ali, junto de uma fileira de Sidneys Sheldons. Porque eu tinha acabado de ver uma série policial norte-americana inspirada numa série policial sueca, pensei que o livro teria mais ou menos a mesma qualidade (que não é lá muito alta, convenhamos, mas divertiu-me), especialmente por tratarem, julgando pela sinopse, da mesma coisa. Continuar lendo